
Os efeitos da mudança do clima estão tornado-se cada vez mais drásticos, alguns até irreversíveis. O novo acordo climático precisa ficar pronto o mais rápido possível para ser implementado, e mais importante ainda, ser seguido rigorosamente!
“O relatório G8 Climate Scorecards, lançado pela Rede WWF e Allianz SE nesta quarta-feira, dia 1 de julho, se propõe a avaliar os países do G8+5 (grupo das sete maiores economias mundiais mais a Rússia e cinco países em desenvolvimento, entre eles o Brasil) quanto aos avanços em suas políticas nacionais sobre mudanças climáticas e a implementação de ações para a prevenção de problemas. Os resultados do estudo baseiam-se nas melhorias obtidas desde 1990.
O relatório é feito anualmente pela consultoria independente Ecofys. Saiba as principais conclusões da edição de 2009:
Como os países do G8 estão se comportando em relação ao clima do planeta?
O relatório fez um ranking dos países que mais contribuem para deter o aquecimento global. Quem está ajudando o clima neste momento são: Alemanha, em primeiro lugar, Reino Unido, em segundo, e a França, em terceiro.
Segundo o acordo vigente sobre clima, o Protocolo de Quioto, os países industrializados (incluindo os do G8) devem reduzir suas taxas de emissão de gases de efeito estufa – principais responsáveis pelo aquecimento global. Esses três países vão cumprir suas metas. Além disso, todos eles vêm preparando políticas que garantem que essas emissões vão continuar caindo.
E os demais países?
A Itália e o Japão, que aparecem em quarto e quinto lugar, respectivamente, estão numa posição média baixa. Eles receberam essa colocação porque diminuíram suas emissões de gases de efeito estufa desde a assinatura do Protocolo de Quioto, mas se continuarem nesse ritmo, não vão atingir as metas. Além disso, as políticas climáticas nacionais de ambos ainda são incipientes diante do tamanho do desafio que temos pela frente.
Quais são os piores do ranking?
O Canadá, os Estados Unidos e a Rússia, nesta ordem, tiveram o pior desempenho no cumprimento das metas de clima do Protocolo de Quioto. O Canadá aumentou suas emissões em vez de diminuir, como era o combinado.
Além disso, o país não fez mudanças positivas significativas na política nacional de clima. Os Estados Unidos, apesar de ainda estarem numa posição muito ruim, melhoraram, pois no ano passado estavam em último lugar no relatório.
Isso aconteceu por que a administração Obama tem conseguido vários avanços nas políticas internas do país sobre mudanças climáticas. Já a Rússia, além de estar com as emissões altas, não tem eficiência energética e utiliza muito gás natural como fonte de energia. O gás natural emite muitos gases de efeito estufa.
E o Brasil? Como está?
O Brasil, como os demais países em desenvolvimento analisados no relatório G8 Climate Scorecards, não recebe uma classificação, pois não têm metas obrigatórias de redução de gases de efeito estufa dentro do Protocolo de Quioto. Mas o país tem que fazer a sua parte para evitar que o aquecimento global chegue a níveis perigosos e, por isso, precisa se desenvolver de maneira limpa e sustentável.
No final do ano passado, o governo apresentou o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que inclui metas nacionais de redução de desmatamento na Amazônia, o que é muito bom. Porém, há outras políticas e ações de governo e discussões no Congresso Nacional que não condizem com os esforços feitos para combater o desmatamento.
Exemplos disso são a discussão no Congresso Nacional sobre mudanças no Código Florestal, que, caso aprovadas, terão forte impacto no meio ambiente e poderão estimular o desmatamento. Outro exemplo é o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê grandes obras de infraestrutura na Amazônia.
Se somente alguns países conseguiram cumprir suas metas para evitar o aquecimento global, o que pode ser feito agora?
O Protocolo de Quioto termina em 2012 e já sabemos que até lá o aquecimento global ainda não terá sido detido. Por isso é necessário um outro acordo entre os países que seja justo, respeitando a responsabilidade que cada um tem sobre as emissões totais atuais e passadas, mas que seja também eficiente e resolva o problema de excesso de gases de efeito estufa na atmosfera.
Dezembro de 2009 é a data-chave para os países chegarem a este acordo, pois depois da assinatura na reunião das Nações Unidas, o documento ainda deve ser ratificado nos países e esse processo não é rápido. Faltam apenas cinco meses para Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, em Copenhague.
Os países precisam tomar providências imediatamente e ajudar a selar um bom acordo em dezembro. “
Fonte: WWF Brasil
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Raísa Tôrres
5 Comentários
7 07UTC Julho 07UTC 2009 às 23:30
Ativistas do Greenpeace entregam o “mundo” ao presidente Lula
07 de Julho de 2009
Paris, França — Ativista brasileiro do Greenpeace entrega o “mundo” ao Lula na França Globo inflável foi entregue ao presidente para cobrá-lo de seu compromisso com o meio ambiente e o combate às mudanças climáticas
Paris (França), 7 de julho de 2009 – O Greenpeace fez um protesto hoje (7/7) na França para cobrar do presidente Lula responsabilidade com a proteção da Amazônia e com o combate ao aquecimento global. A urgência de medidas contra as mudanças climáticas foi simbolizada por um globo inflável que os ativistas entregaram ao presidente durante cerimônia na sede da UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), onde Lula recebeu o prêmio Paz Félix Houphouët-Boigny. Na faixa estendida pelos ativistas estava escrito: Salve o Planeta, Salve a Amazônia.
Quase simultaneamente, outros ativistas do Greenpeace faziam outro protesto. Paris foi cenário de outra manifestação. Dessa vez, o alvo foi o presidente francês Sarkosy. Uma calota de gelo inflável de 16 metros, simbolizando as geleiras que estão derretendo com o aquecimento global, foi colocada no Rio Sena. Nas faixas, o Greenpeace pede para Sarkozy liderar as discussões climáticas na reunião que do G-8 (sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia), em L’Aquila (Itália) que tem início amanhã. Os países mais ricos são os campeões de emissão. Os líderes desses países podem esperar mais manifestações durante a reunião na Itália.
A vergonha do Brasil
O desmatamento da Amazônia coloca o Brasil na vergonhosa posição de quarto maior emissor mundial de gases do efeito estufa. “Existe uma enorme distância entre o discurso internacional do presidente e o que o governo brasileiro está realmente fazendo para proteger a floresta”, disse João Talocchi, coordenador da campanha de clima. “Está na hora do Presidente Lula provar que seu discurso é real e que a proteção da Amazônia é uma prioridade para o governo brasileiro”. (Leia no nosso blog o relato do coordenador da campanha do clima sobre a ação).
Para impedir um aquecimento maior que 2º na temperatura média da Terra, o que provocaria desastres ambientais irreversíveis, o presidente Lula, e os chefes de estado, precisam assumir pessoalmente a responsabilidades pelo acordo climático que será fechado em Copenhague no final deste ano para dar continuidade ao protocolo de Kyoto, que expira em 2012. “O presidente Lula pode colocar o Brasil na liderança das soluções para crise do clima, se comprometendo com o desmatamento zero em 2015 e com a valorização da floresta em pé”, disse Talocchi.
Em dezembro de 2008, por exemplo, durante a última reunião da convenção do clima na Polônia, o Brasil assumiu uma meta nacional de redução do desmatamento. No entanto, recentemente o presidente Lula sancionou a Medida Provisória (MP) 458 que vai incentivar a grilagem de terras públicas na Amazônia, incentivando a destruição da maior floresta tropical do mundo. Agora, o deputado Sandro Mabel (PR) tenta aproveitar a MP 462 – a última antes da regra que proíbe embutir nas medidas provisórias assuntos que não têm nada a ver com seu objeto principal – para aprovar emenda que dispensa de licenciamento as obras da BR 319, que liga Manaus a Porto Velho. O tema da MP 462 é auxílio financeiro aos municípios.
Incoerência –
A próxima ofensiva contra a Amazônia será a discussão do código florestal, que deve para acontecer até o final deste ano. A proposta defendida pela senadora Kátia Abreu e pelo Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, pretende enfraquecer a legislação ambiental, absolvendo o Governo Federal da responsabilidade de proteger a Amazônia e transferindo para os Estados essa tarefa, o que permitirá intervenções que atendam exclusivamente aos interesses locais. “Ao mesmo tempo em que recolhe dinheiro internacional para proteger a floresta, o governo brasileiro incentiva e financia atividades que destroem a Amazônia”, alertou Talocchi.
Uma das principais frentes de atuação internacional do governo brasileiro tem sido a arrecadação de recursos para o Fundo Amazônia, que tem como objetivo proteger a floresta por meio de incentivos financeiros. No entanto, o BNDES, banco público que gerencia os recursos do Fundo, foi recentemente denunciado pelo Greenpeace, no relatório a Farra do Boi, como cúmplice do desmatamento da Amazônia, por financiar a expansão da pecuária e ser sócio de frigoríficos que atuam na região. A pecuária hoje é a principal causa da destruição da Amazônia. De acordo com dados do governo, o setor é responsável por cerca de 80% de todo o desmatamento da região amazônica.
Da França, Lula segue para Itália para participar do encontro do G-8 com o G-5 (grupo formado por Brasil, México, Índia, África do Sul e China).
Fonte: Greenpeace Brasil
http://www.greenpeace.org/brasil/greenpeace-brasil-clima/noticias/ativistas-do-greenpeace-entreg
21 21UTC Outubro 21UTC 2009 às 8:33
A discussão ambiental internacional finalmente está abrindo espaços – mais do que merecidos – para sua discussão, a fim de solucionar este problema alarmante.
É evidente que as recentes mudanças climáticas, tem ocasionado não só prejuízos extremos, que aumentarão, mas, acho que deveria mesmo era causar constrangimento.
Ora, certo que os governos tem uma parcela de “culpa” nestes anos em que poluía-se indiscriminadamente – ou permitia-se poluir – no entanto, é ingênuo pensar que são os governos os diretamente responsáveis por isso.
Obviamente há de se relevar a posição de estados de exceção, situação esta que a própria conscientização e cultura se encontram em suspeita, uma vez que pode ser direcionados.
Entretanto, na era da Internet, com a difusão de informações a mil por hora, é complicado justificar o poluir do individual, pior ainda, da aceitação pela poluição do próximo, estamos, acostumados, e, para mim, mais do que uma política ambiental, uma cultura, que acarreta em mudanças gerais muitas mais significativas.
22 22UTC Outubro 22UTC 2009 às 17:55
Algo que deve ser repensado nas negociações do tratado modificatico ao Protocolo de Kyoto que será assinado em Copenhague é o princípio da responsabilidade histórica. Ainda que seja relevante que países em desenvolvimento possuam uma responsabilidade igual mas diferenciada, não é aceitável que países como a Rússia, Índia, China e até mesmo o Brasil não se comprometam a reduzir as taxas de redução de carbono. Será preciso um comprometimento de todos os países para reduzir o impacto das mudanças climáticas, caso contrário o novo tratado não terá êxito em cumprir a sua finalidade.
23 23UTC Outubro 23UTC 2009 às 0:54
É certo e indiscutível que todos os países devem contribuir com metas para redução do aquecimento global. Cada um deve “enfiar a carapuça” e repensar sua própria política ambiental. Porem o que não é certo, como acontece no Brasil, é “achar”que criando leis (em sentido amplo) irá resolver o problema. Cada dia que passa aumenta o numero de leis a respeito do meio ambiente com referencia à sua proteção, nem por isso é o que vemos acontecer. Primeiro porque de nada adianta a lei se não existe fiscalização efetiva, nem sempre o que está demonstrado em papeis corresponde à realidade, bem diz a expressão “papel aceita tudo”. Segundo porque na maioria das vezes a lei é feita direcionada aos “grandes”, sejam pessoas jurídicas ou físicas, esquecendo-se dos pequenos que vivem suas vidas em locais ermos, pelos interiores desse extenso país, são realidades totalmente diferenciadas, e que muitas vezes se fossem aplicar na integra certas leis tornaria inviável a sua atividade ou mesmo sua vida, já que a maioria pauta toda a sua vida nessa atividade. Assim, talvez não seria tão mal, a responsabilidade ser passada para cada Estado, facilitando a criação de leis especificas de acordo com a sua “realidade” e facilitando também a fiscalização, ficando o Estado responsável de cumprir a meta que lhe for incumbida quanto a proteção ao meio ambiente e sendo a Administração Publica penalizada caso isso não aconteça.
7 07UTC Dezembro 07UTC 2009 às 23:45
A questão ambiental vem sendo discutida há muitos anos e cada vez mais é notório o desinteresse com que alguns países tratam o tema. O Protocolo de Quioto era uma esperança para a diminuição da poluição mundial, mas o preço a ser pago não foi aceito pelos maiores países do mundo, que seria a diminuição de produção de vários produtos e formas mais caras de confecção de outros para diminuir a quantidade de poluentes emitidos no ambiente. Um avanço significativo para o mundo foi a mudança de postura adotada pelos EUA simultânea com a mudança de presidente, pois o maior poluidor do planeta nunca esteve disposto a abrir mão de seu constante crescimento em favor de tentar salvar o planeta de um possível super aquecimento. Logicamente, os EUA não são os únicos culpados. Vale ressaltar o esforço de países europeus que aumentaram suas despesas com a preservação ambiental para tentar atender tais determinações do Protocolo. Deve haver uma mudança de postura de todos os países relacionados ou não no projeto de diminuição de poluentes, pois, mesmo o Brasil não estando relacionado pode procurar formas de desenvolvimento sustentável. O planeta já responde negativamente a nossa atuação com aumento de temperatura e fenômenos naturais cada vez mais desastrosos, fazendo com isso vítimas fatais. O Protocolo deve ser entendido como uma dever de agir e não apenas uma recomendação de conduta. 2012 será o ano da verdade sobre o clima no mundo, pois, se esse Protocolo não for respeitado os próximos serão meros perde de tempo.