Disminuye en 23% inversión extranjera directa en América Latina en el primer semestre de 2014

(Esta versión actualiza el monto total de IED recibida por la región en el primer semestre de 2014 porque incluye las cifras de Bolivia y Honduras)

(24 de octubre, 2014) Las entradas de inversión extranjera directa (IED) en 15 países de América Latina y el Caribe con datos disponibles disminuyeron 23 % durante la primera mitad de 2014 respecto al mismo período del año anterior, alcanzando un total de 85.465 millones de dólares, informó la Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL).

A nivel global, por el contrario, se estima que los flujos de IED aumentarán 10% durante 2014 gracias, principalmente, a la inversión recibida por los países desarrollados, señaló el organismo regional de las Naciones Unidas en un comunicado de prensa.

Los datos divulgados hoy corresponden a la actualización que cada año realiza la CEPAL de las principales cifras del informe La inversión extranjera directa en América Latina y el Caribe, cuya última edición fue lanzada en mayo.

Entre los factores de la disminución de la IED hacia la región figura la ausencia de grandes adquisiciones empresariales durante el primer semestre de 2014 (que compensen las registradas en el mismo período del año anterior). Otro elemento importante para varios países de la región es el enfriamiento de las inversiones en minería por la caída de los precios de los metales.

Buena parte de la caída se concentra en México, donde la compra en 2013 de la cervecera Modelo por parte de la transnacional belga Anheuser-Busch InBev en 13.249 millones de dólares aumentó excepcionalmente los flujos de IED. Además, durante el primer semestre de 2014 se registró una salida de inversión extranjera directa por 4.495 millones de dólares como resultado de la retirada de AT&T del accionariado de América Móvil. Más allá de estos fenómenos atípicos, México continuó recibiendo flujos de IED en un nivel similar al de los cinco años anteriores, con un alto nivel de entradas en la industria exportadora y en particular en el sector automotriz.

En Brasil se registró un aumento de 8 % en la IED recibida por el país durante los primeros ocho meses de 2014 con respecto al mismo período de 2013, y las estimaciones oficiales indican que los ingresos anuales serán semejantes a los del año anterior.

En Chile disminuyeron los ingresos de IED en 16 % entre enero y agosto de este año, siguiendo la tendencia a la baja iniciada en 2013. La caída se concentró especialmente en el sector minero, escenario que podría mantenerse durante este año, aunque es probable que los flujos aumenten en los últimos meses como consecuencia de la adquisición de la empresa de energía CGE por parte de Gas Natural de España en 3.285 millones de dólares.

En Argentina los flujos de IED registraron una salida neta de 55 millones de dólares al contabilizar la desinversión de la empresa española Repsol en la petrolera YPF. Descontando este cambio de propiedad, los aportes de capital y reinversión de utilidades (dos componentes de la IED) sumaron 4.289 millones de dólares, 20 % menos que el año anterior. Para el primer semestre de 2014 no se dispone de información oficial sobre el tercer componente de la IED (deuda con matrices y filiales) en este país.

Al igual que en México y Chile, las entradas de IED disminuyeron en Perú (-18 %), Costa Rica (-21%) y El Salvador (-67 %). En Bolivia la caída fue más leve (-1%). Por el contrario, aumentaron 9 % en Uruguay, 10 % en Colombia y 26 % en Panamá, países en los que estos flujos ya habían sido muy altos en 2013. Guatemala, Honduras y República Dominicana también mostraron incrementos en cuanto a la IED recibida.

Por otra parte, la inversión extranjera directa que sale de América Latina y el Caribe, que había registrado una disminución en 2013, aumentó notablemente durante la primera mitad de 2014. Con la excepción de México, donde los flujos inversores al exterior bajaron 18 %, todos los países con empresas translatinas importantes aumentaron la IED al exterior.

En Brasil la inversión directa al exterior durante los primeros ocho meses del año fue positiva por primera vez desde 2010. Los flujos negativos de deuda entre matrices y filiales continuaron a un ritmo similar al del año anterior, lo que indica que la práctica de las empresas brasileñas de endeudarse en el exterior no ha cambiado. Entre enero y agosto de 2014 estos flujos negativos se vieron compensados por un aumento de 48 % en los aportes de capital.

Las inversiones directas al exterior también aumentaron levemente en Chile (8 %) y significativamente en Venezuela (29 %), Colombia (65 %) y Argentina (105 %).

Más información:

Fonte: CEPAL

América Latina deve se preparar para a desaceleração, diz secretário da Unasul

seg, 27/10/2014 – 16:00

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Buenos Aires  A América Latina deve se preparar para a fase de desaceleração econômica e seguir com a reindustrialização, disse o secretário-geral da União das Nações Sul-americanas (Unasul), Ernesto Samper, que acredita, contudo, em fatores como os benefícios provenientes dos recursos estratégicos.

“Temos que nos preparar para uma desaceleração econômica”, afirmou Samper em uma entrevista ao EFE, na qual comentou que as descobertas de petróleo e gás na região, a diminuição da demanda de recursos por parte dos Estados Unidos e China e o “fortalecimento evidente” do dólar levam a região para um desaquecimento.

Advertiu também, contudo, que também há fortalezas, tais como as reservas estratégicas de petróleo, níquel, cobre, água e a capacidade de geração hidrelétrica.

“Bom, temos que agregar valor a isso”, por isso, o objetivo da América Latina, além de superar essa situação, é preciso “iniciar um processo de reindustrialização”, comentou

Samper, que foi presidente da Colômbia entre 1994 e 1998, destacou conquistas da América Latina, como a redução da pobreza, 70 milhões de pessoas em dez anos e o comportamento de governos que, “sem exceção, têm se submetido ao jogo democrático”.

“Acredito que temos muitas coisas em comum para trabalhar”,  por isso é “desnecessário que estejamos unidos contra alguém ou algo”, afirmou para ressaltar a necessidade de “desideologizar” e, ao mesmo tempo, “repolitizar” a Unasul.

Consciente da existência de modelos políticos distintos, argumentou que para conseguir esse objetivo é preciso que “simplesmente essas duas visões que existem não sejam utilizadas como argumento para não nos integrarmos. É possível ter uma região e duas concepções de desenvolvimento”, opinou.

Samper sempre ofereceu sua ajuda a Unasul, a fim de recuperar o diálogo entre a oposição  e o governo da Venezuela, também para contribuir para o processo de paz na Colômbia, uma vez que termine o atual processo de paz entre o governo e a guerrilha das Farc.

Por agora, disse, não recebi respostas sobre essa oferta, que, no caso da Colômbia, na fase “pós-conflito”, focar-se-ia na recuperação econômica e moral (relacionada com o perdão e as garantias de não cometer atentados), a justiça e a verdade, que permitirá às vítimas ou aos seus familiares conhecer as condições em que foram vitimadas.

O ex-presidente acredita ser “inevitável que se incorpore às conversações a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), porque a negociação deve ser integral”, algo que “está caminhando bem”, disse.

Sobre drogas, o secretário-geral defendeu sua opinião pessoal, “uma política alternativa” que se baseie “na legalização como alternativa à proibição”, e “desmontar lentamente as leis proibicionistas”.

“Atualmente somos muito duros com os camponeses, somos duros com as “mulas” que transportam as drogas, somos duros com os consumidores e somos brandos com as organizações criminosas”, disse ao defender a punição do delito e não criminalizar esses “pontos fracos do conjunto”, não por meio da legalização, mas sim com mecanismos para “lhes ajudar a sair do problema”.

Ao fazer um balanço de sua gestão, Samper mencionou os acordos para criar um banco de preços para medicamentos e um mecanismo de solução de controvérsias “muito mais equilibrado entre investidores privados e governos” que os atuais centros de arbitragem, nos quais muitos criticam porque tais entidades possuem “um viés” favorável às empresas.

O organismo trabalha em um projeto para estimular um conjunto de infraestruturas (estradas, trens, hidrovias) que beneficiam mais de dois países, com investimento que poderia alcançar os US$ 20 bilhões, explicou.

A Unasul, por outro lado, avançou, disse Samper, ao se comprometer mais com “o assunto da mulher”, por isso lançará uma proposta em 25 de novembro em um ato no qual estará uma filha de uma das irmãs dominicanas Mirabal (Patria, Minerva e María Teresa).

As mulheres foram assassinadas por agentes do regime de Rafael Trujillo em 1960 nesse mesmo ano, declarado pela ONU como o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher.

A Unasul é formada pela Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

 Fonte: América Economia

STF: Ministro considerou “procedente” decisão italiana sobre Pizzolato

BRASÍLIA  –  O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello classificou nesta terça-feira como “procedente” a decisão da Corte de Apelação de Bolonha, na Itália, que negou a extradição do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que fugiu do Brasil após ser condenado no julgamento do mensalão.

Uma das razões alegadas pela defesa e acatadas pelos juízes para negar a extradição foi a situação dos presídios brasileiros. “O motivo foi não termos penitenciárias que preservem a integridade física e moral do preso. Para nós, brasileiros, é uma vergonha. Ele exerceu o direito natural de não se submeter às condições animalescas das nossas penitenciárias”, declarou Marco Aurélio.

E acrescentou: “Ele [Pizzolato] tem dupla nacionalidade e o óbice vislumbrado pela Itália foi justamente o que o nosso ministro da Justiça [José Eduardo Cardozo] apontou como masmorras. Se considerarmos algo que talvez esteja em desuso no Brasil, que é a dignidade do homem, é procedente o pronunciamento italiano.”

Para Marco Aurélio, a decisão não seria um revide pelo caso do italiano Césare Battisti, em que o Brasil negou a extradição. “Não, eu não presumo o excepcional, o extraordinário, o extravagante, mas o ordinário”, falou. O governo brasileiro pedia que Pizzolato fosse extraditado para cumprir no país a pena de 12 anos e 7 meses de prisão, pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro.

Fonte: Valor Econômico S.A

Participação Social e Política Externa na América do Sul

A democratização da política externa não é tema de debate só no Brasil. O assunto ganha espaço nos países vizinhos e amplia a discussão sobre o envolvimento cada vez maior dos diversos atores e a sociedade civil no que diz respeito a formulação das principais diretrizes de política externa de suas nações. Na América do Sul esse tema ganha peso, a partir de meados dos anos 2000 intensificando um processo de ampliação dos debates inciados no período de redemocratização na região.

É preciso entender como esse processo ganha cada vez mais destaque no campo das Relações Internacionais, especialmente nas abordagens conceituais e teóricas contemporâneas que colocam o Estado não mais como único ator no sistema internacional.

Sobre essas pautas, o Brasil no Mundo entrevista os professores Karen Honório e Lucas Mesquita, especialistas em política externa e membros do Núcleo de Estudos de Política Externa Latino-Americana (NUPELA) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Os especialistas discutem as abordagens teóricas que ajudam a compreender como essa relação Estado-sociedade civil é tradicionalmente compreendida e quais os novos estudos que tentam, de alguma forma, mostrar outra visão dessa temática. A partir de mudanças no ambiente regional e internacional e a adoção de políticas públicas para democratização das instituições, os entrevistados afirmam que houve iniciativas práticas em vários países sul-americanos e dentro dos organismos de integração regional para uma maior participação da sociedade civil nos rumos da política externa latino-americana.

A professora Karen Honório é mestre em Relações Internacionais (Unesp/Unicamp/Puc-Sp) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Brasil e professora do curso de Relações Internacionais e Integração da Universidade Federal da Integração Latino-Americana. O professor Lucas Mesquita é mestre em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas e também professor do curso de Ciência Política e Sociologia da Unila.

Leia na íntegra.

A corrente realista coloca o Estado como ator central nas relações internacionais e que sua preocupação é com o poder, assim como as capacidades deste diante de outros Estados, não havendo uma preocupação dessa abordagem com o movimento dos fatores internos (políticos, econômicos ou sociais) na ação do Estado. Essa visão é bastante marcada nos Estados nacionais sul-americanos. Esse seria o principal motivo que favorece uma menor relação Estado-sociedade civil nos assuntos de política externa de seus países? Existem outras abordagens teóricas e estudos que poderiam colaborar nessa perspectiva de maior democratização da política externa?

Karen e Lucas: Partindo da linha teórica Realista das Relações Internacionais, essa poderia ser uma leitura no entanto, existem outras correntes consolidadas na subárea da Análise da Política Externa as quais possuem o olhar voltado para os condicionantes domésticos em contraposição a visão realista, possibilitando considerar a participação de grupos organizados, da sociedade, dentre outros. Da nossa perspectiva, o principal motivo para um distanciamento do cidadão comum da política externa dos países da região não pode ser fundado em uma perspectiva teórica, mas sim a partir do entendimento do processo de formação do Estado e do aparato da diplomacia nacional na América Latina.

A política externa em regimes democráticos torna-se automaticamente democrática?

Em sua formação e para poder se relacionar com o resto do mundo ocidental, o Estado nacional na região procurou adotar o modelo europeu de administração estatal, seja ele na vertente espanhola ou portuguesa, o que refletiu no modelo de diplomacia e de processo decisório bem próximo ao modelo europeu, o qual distanciava a população comum dos assuntos internacionais dos Estados. Nesse sentido a diplomacia regional historicamente foi conduzida por uma pequena elite (seja ela especializada ou política), situação mantida até meados da década de 1980, início da década de 90, período em que a política externa adquiriu um peso diferente nos países da América do Sul, principalmente em função da mudança de regime político – que interferiu no processo de formação das preferências nacionais, ao agregar novos atores sociais na discussão da política interna – bem como fatores de ordem internacional que romperam a barreira do interno/externo, impulsionando a uma internacionalização das políticas públicas locais, refletindo na formação da política externa regional. Entretanto, embora haja essa mudança de percepção sobre a política externa, o arranjo institucional nesses países ainda apresenta um descompasso com essas transformações, aspecto que achamos fundamental repensar. A inserção internacional desses países desde o fim da Guerra Fria, ampliou o escopo das áreas em que eles passaram a participar de maneira mais efetiva na arena internacional o que gera efeitos distributivos nas sociedades nacionais e a altera a percepção do internacional por setores domésticos. Um marco nesse sentido, na América Latina como um todo, foram as negociações da ALCA, onde vários setores da sociedade civil se mobilizaram e debateram a adesão à Área. Algumas mudanças nacionais também podem ser percebidas, como uma intensificação do uso da diplomacia presidencial em alguns países, como Brasil, Paraguai e México – com a intenção de inserir esses países como democráticos no sistema internacional-, bem como alguns esforços de questionamento das estruturas decisórias da política externa. No Paraguai, a partir do governo de Nicanor Frutos (2003-2008) inicia-se um processo de mudança na política externa paraguaia, com uma projeção mais autônoma, sendo intensificada no governo Lugo, no qual, inclusive há uma oxigenação das burocracias estatais com a incorporação de integrantes da coalizão luguista, movimento que implicou em uma redução na centralização decisória do executivo paraguaio e do Partido Colorado, bem como permitiu ao Estado internalizar algumas demandas desse grupo. Essa mudança também é percebida no caso uruguaio, no qual os arranjos institucionais também foram influenciados pela mudança de regime, com uma complexificação do processo decisório, com a ampliação de atores – sociais e governamentais – nas etapas do ciclo de produção da política pública, alterando e consolidando o modelo de inserção uruguaia. Mas um ponto principal a ser pensado a nosso ver é questionar se essa ampliação do debate aos novos atores impulsionada pela condição democrática permitiu que as bases de produção da política externa latino-americana se aproximasse de um viés democrático. Cabe questionar portanto, a política externa em regimes democráticos torna-se automaticamente democrática?

A chegada de governos ditos progressistas na América do Sul a partir dos anos 2000 foi importante para ampliar o debate em torno da participação social na política externa desses países? Qual o papel que joga a UNASUL, MERCOSUL e recentemente a criação da CELAC na democratização da política externa dos países da região?

Karen e Lucas: A chegada ao poder dos partidos com tendências mais à esquerda no início dos anos 2000 possibilitou uma ressignificação do âmbito regional na própria dinâmica interna dos países. Muitos desses novos governos buscavam na região a legitimação e os recursos necessários para viabilizarem suas propostas de governo calcadas em questões de desenvolvimento nacional, redução das desigualdades sociais e outras consequências de governos anteriores nos marcos do neoliberalismo. Aliado a esse contexto, é necessário ressaltar que a própria tradição internacionalista desses partidos que sobem ao poder confluem para intensificar uma projeção internacionalizada das questões nacionais. Esse movimento de ampliação da agenda dos temas da integração, iniciado no começo dos anos 2000, ganha um novo folego a partir de 2004, na Reunião de Cusco, momento no qual a agenda social e política, começa a ganhar corpo nas instituições regionais, refletindo na criação de canais voltados para essa agenda. Foram criados espaços dentro desses organismos para a participação social como as cúpulas sociais do MERCOSUL, e posteriormente o Fórum de Participação Cidadã da UNASUL/Fórum Consultivo da Unasul, buscando instâncias institucionalizadas dentro dos mecanismos que garantam a participação de setores das sociedades nacionais dos países e buscando maior democratização nas decisões e caminhos dos mecanismos. É interessante perceber que a consolidação desses canais institucionalizados de participação social nos mecanismos de integração regional podem gerar mudanças nos próprios arranjos decisórios internos dos países.

Representantes de movimentos sociais latino-americanos encerram Cúpula Social do Mercosul, em Brasília, 2012. Fonte: OperaMundi

O interessante é perceber que em função das demandas criadas em âmbito regional, os Estados precisaram se adequar a esses novos canais institucionais. No caso brasileiro isso reverberou no lançamento do Conselho Brasileiro do Mercosul Social e Participativo, um programa que constituiu um foro interno permanente de diálogo entre governo e sociedade civil sobre os temas da integração no Mercosul, mostrando inclusive uma lógica espelhada da integração regional.

Qual o papel da mídia nacional nesse tema?

Karen e Lucas: A mídia tem um papel bastante relevante, porque funciona como instrumento indireto de democratização da política externa por ampliar o público que tem acesso aos temas e debates da agenda de política externa, principalmente no Brasil, no qual os temas internacionais historicamente estavam insulados nas burocracias especializadas. Os jornais, revistas, cobertura na mídia televisiva, assim como a própria internet contribuem para criar um público interessado nos rumos da política externa e na definição do interesse nacional. Entretanto é necessário uma postura crítica por parte desse público acerca dessas coberturas nos principais meios de comunicação nacional, os quais adotam preferências bem claras sobre a atuação da diplomacia e da política externa brasileira. Para uma visão mais clara da cobertura dos principais veículos de comunicação sobre a temática, destacamos a iniciativa do Cebrap, com o Observatório de Política Externa na Imprensa. Entendemos que para a formação de um público interessado em política externa e que tenha essa capacidade crítica salientada acima, seja da cobertura midiática ou da própria condução diplomática, é necessário uma maior participação e articulação da academia estimulando esses debates nos meios de comunicação. Assim a política externa romperia não apenas os muros do Itamaraty mas também os muros da Universidade.

Quais iniciativas que foram adotadas pelos governos dos países sul-americanos que de alguma forma possibilitaram a maior participação de setores da sociedade civil na política externa dos países e em que nível essas propostas podem colaborar para uma maior participação da sociedade na formulação da política externa?

Karen e Lucas: Conforme dissemos na resposta anterior alguns canais de participação social foram criados para atuação em âmbito regional impactando no arranjo doméstico da política externa. O que se observa na América do Sul é uma mudança gradual nos arranjos institucionais domésticos, os quais alteram as dinâmicas de distribuição no poder decisório, com a inserção de novas regras, atores e padrões institucionais, mas ainda com a manutenção e prevalência de determinadas práticas históricas. Cabe lembrar que de maneira geral mesmo com esses novos governos os processos decisórios da política externa ainda estão concentrados nas burocracias especializadas, tendo a participação social somente um caráter consultivo ou de legitimação. A possibilidade de alteração desse modelo vem sendo demandada, seja por diversos setores da sociedade civil – movimentos da sociedade, instâncias partidárias, academia, entidades de classe, grupos de pressão -, ilustradas como nos casos brasileiro e venezuelano de criação de Conselhos de Política Externa. Um exemplo de avanço real no sentido da mudança do processo decisório e da inclusão de atores historicamente distantes do ciclo de produção de política externa é a Bolívia. A Constituição aprovada em 2007 inova na região ao incluir mecanismos de referendo populares vinculantes prévio para ratificação de tratados internacionais em quatros temas: (I) alteração de limites territoriais, (II) integração monetária, (III) integração econômica estrutural e (IV) cessão de competência institucionais à organizações internacionais em questões de integração. Para além desses temas, caso haja solicitação ou dos eleitores ou dos membros da Assembleia, os tratados internacionais também são passíveis de referendo, interferindo nos prazos de negociação e ratificação dos mesmos.

Chico Denis é Bacharel  em Relações Internacionais e Integração pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

FONTE:http://brasilnomundo.org.br/entrevistas/participacao-social-e-politica-externa-na-america-do-sul/#.VE_ovyLF-n1

“And the loser in Brazil is – neoliberalism” By Pepe Escobar

Lula: 'Equipe de Dilma será imagem e semelhança dela'Sun, sex, samba, carnival and at least until the World Cup hammering by Germany, the “land of football”. And don’t forget “vibrant democracy”. Even as it enjoys one of the highest soft power quotients around the world, Brazil remains submerged by cliches.

“Vibrant democracy” certainly lived up to its billing as President Dilma Rousseff of the ruling Worker’s Party (PT) was re-elected this Sunday in a tight run-off against opposition candidate Aecio Neves of the Social Democracy Party of Brazil (PSDB).

Yet another cliche would rule this was the victory of “state-centric” policies against “structural reforms”. Or the victory of “high social spending” against a “pro-business” approach – which implies business as the privileged enemy of social equality.

Exit cliches. Enter a cherished national motto: “Brazil is not for beginners”.

Indeed. Brazil’s complexities boggle the mind. It starts with arguably the key, multi-layered message a divided country sent to winner Dilma Rousseff. We are part of a growing middle class. We are proud to be part of an increasingly less unequal nation. But we want social services to keep improving. We want more investment in education. We want inflation under control (at the moment, it’s not). We support a very serious anti-corruption drive (here’s where Dilma’s Brazil meets Xi Jinping’s China). And we want to keep improving on the economic success of the past decade.

Rousseff seems to get the message. The question is how she will be able to deliver – in a continental-sized nation suffering from appalling education standards, with Brazilian manufacturing largely uncompetitive in global markets, and with corruption run amok.

Those ignorant, arrogant elites
Brazil is now mired in dismal GDP growth (0.3%). Just blaming the global crisis doesn’t cut it; South American neighbors Peru (3.6%) and Colombia (4.8%) are definitely going places in 2014.

And yet the numbers are not that shabby. Job creation is up. Unemployment is down (only 5.4%). Investment in social infrastructure is picking up. From 2002 to 2014, the minimum wage more than tripled. GDP per capita is up, reaching roughly $9,000 while the gini coefficient of social inequality (2012 data) is down.

Industrial production is back to the same level before the 2008 financial crisis. Brazil paid all its debts to the IMF. The proportion of debt in relation to GDP is falling – reaching only 33.8% in 2013. Workers have more purchasing power – and even with rising inflation, that mirrors better income distribution.

Social programs have benefited 14 million families – roughly 50 million Brazilians. These policies may arguably be derided as too little, too late Keynesianism. But at least that’s a start – in a nation exploited by immensely ignorant, arrogant and rapacious elites for centuries.

Rousseff’s first stint as president may also be blamed for too many concessions to big banks (extremely profitable in Brazil), powerful agribusiness interests and Big Capital. What happened, in a nutshell, is that the center-left Workers’ Party swung to the center – and was compelled to make unsavory oligarchic alliances. The result is that a significant section of its social base – the metropolitan working class, now heavily indebted to sustain its brand new consumer dream – ended up flirting with the right as a political alternative.

Add to it the PT’s not exactly brilliant management skills. True, the fight against poverty is a lofty ideal. But in such an unequal nation, that will take at least until 2030 for really serious results. Meanwhile, serious planning is in order – such as building a high-speed rail between the two megalopolises, Rio and Sao Paulo (the Chinese would do it in a few months). And seriously tackling Brazil’s oligopolies; banks, corporate media, construction/real estate conglomerates, the auto industry lobby.

And the loser is – neoliberalism
Unlike the US and Europe, neoliberalism in Brazil has been repeatedly knocked out at the ballot box since 2002, when Lula was first elected president. As for the “social democrat” opposition, there’s nothing social, and barely democratic, about it. The PSDB’s pet project is turbo-neoliberalism, pure and simple.

Team Neves had everything going for them. Their key constituency was in fact 60 million mostly angry Brazilian taxpayers – over 80% living and working in the wealthier southeastern seaboard. Life is tough if you are a Brazilian salaried professional or the owner of a small and medium-sized enterprise. The tax burden is on a par with the industrialized world, but you get virtually nothing in return.

No wonder these irate taxpayers are desperate for decently paved roads, urban security, better public hospitals, a public school system they can send their children to, and less red tape and bureaucracy – which add to the nefarious, universally known “Brazilian cost” (as in no value for money). These are not Workers’ Party voters – although some of them were. What they want is galaxies beyond the everyday tribulations of the new, large lower middle class created by the social programs first implemented by Lula.

Yet with a mediocre candidate like Neves – he even lost in his home state, where he was governor – neoliberalism does not need enemies.

Neves predictably billed himself as the dragon who would slay what Wall Street derides as “statism” – cutting government spending and “liberalizing” trade, code for privileging corporate US interests. At the same time Neves has never been able to capture the vote of an overburdened black woman in the favelas.

With Neves, Brazil’s future finance minister would have been Arminio Fraga, a slick operator who, among other things, ran high-risk funds in emerging markets for George Soros and is also a former president of Brazil’s Central Bank. Some of his shenanigans are detailed in More Money than God: Hedge Funds and the Making of a New Elite, by Sebastian Mallaby. Fraga would have been the point man of a Soros-inspired government.

Fraga is the proverbial Wall Street predator. With him at the Finance Ministry, think JP Morgan controlling Brazil’s macroeconomic policy. The road in fact was already paved by PSDB’s eminence, former president Fernando Henrique Cardoso, who met with key global investors – via JP Morgan – in New York last month.

Fraga was keen on destroying the Lula and Rousseff administrations’ “hyper-Keynesian bet on demand” and replace it with supply, via a new “capitalist shock”. Predictably, his prescription was amplified by the enormous echo chamber of conservative Brazilian media, and drowned everything else.

And as perception is reality, contamination ensued – pressuring public spending downwards, installing major confusion among private investors, and leading Western credit rating agencies to confirm the supposed lack of credibility of the Brazilian economy.

And it’s the US against the BRICS
Brazil is slowly but surely moving from the semi-periphery to being closer to the center of the action in international relations; because of its own regional geopolitical relevance and mostly because of its leading role among the BRICS. This is happening even as Washington could not give a damn about Brazil – or Latin America for that matter. US Think Tankland, by the way, abhors BRICS.

Politically, a victory for the Cardoso/Neves neoliberals – a ghost of the social democracy they once practiced – would have thrown Brazilian foreign policy upside down; not only against the way the historical winds are blowing, but also against Brazil’s own national interests.

As Rousseff argued at the UN last month, Brazil is trying to fight a global crisis marked by increasing inequality without provoking unemployment and without sacrificing workers’ jobs and salaries. As ace economist Theotonio dos Santos stressed the decadence of the West still exerting substantial influence over the Global South via their extensive network of collaborators, he also went one up; the key fight, as he sees it, is to control Brazilian oil.

Dos Santos is referring to Brazil’s top corporation, Petrobras, currently mired in a bribery scandal – which must be fully investigated – that obscures the Holy Grail: the future revenues from “pre-salt” oil – named after the billions of barrels of oil capped by a thick layer of salt lying several miles below the south Atlantic floor. Petrobras plans to invest $221 billion up to 2018 to unlock this treasure – and expects to make a profit even if oil trades around $45 to $50 a barrel.

Politically, in a nutshell, Rousseff’s narrow victory is crucial for the future of a progressive, integrated South America. It will reinvigorate Mercosur – the common market of the South – as well as Unasur – the union of South American nations. This goes way beyond free trade; it’s about close regional integration, in parallel to close Eurasia integration.

And starting in 2015, Brazil may be on the road to renewed economic expansion again – largely boosted by the fruits of “pre-salt” and compounded with accelerated building of roads, railways, ports and airports. That is bound to have a ripple effect across Brazil’s neighbors.

As for Washington/Wall Street, the Empire of Chaos is certainly not happy – and that’s a major euphemism, especially after betting on the wrong horse, Marina Silva, a sort of Amazon rainforest-born female counterpart to Obama’s “change we can believe in”. The fact is as much as the Brazilian model of income distribution is against the interests of big business, Brazilian foreign policy is now diametrically opposed to Washington’s.

On a lighter note, at least some things will remain the same. Like “Dilma’s diary” – an apocryphal, satirical, ghost written take on the President’s busy schedule published by top Brazilian monthly Piaui, a somewhat local version of The New Yorker. Here’s a typical entry: “I watched a whole pirate copy of Homeland. Awesome! We stayed up late, me and Patriota [the former Minister of Foreign Affairs]. He found the whole thing extremely believable!”

Who said a “vibrant democracy” can’t also be fun?

Pepe Escobar is the author of Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War (Nimble Books, 2007), Red Zone Blues: a snapshot of Baghdad during the surge (Nimble Books, 2007), and Obama does Globalistan (Nimble Books, 2009).

ASIA Times

Soros and CIA Suffer Huge Defeat in Brazil

Wayne MADSEN | 28.10.2014 | 00:00

The Central Intelligence Agency and its George Soros-funded «democracy manipulators» in Brazil suffered a major defeat with the re-election as president of Brazil of Workers’ Party standard bearer and ex-Marxist guerrilla Dilma Rouseff. In the hours prior to Rousseff’s handy re-election, the corporate Western media was still reporting that the election was «too close to call» even as exit polling indicated that Rousseff would trounce her CIA- and Soros-backed conservative opponent Aecio Neves by at least 2 percentage points. The New York Times, Globe and Mail, Reuters, and other corporate media outlets were obviously disappointed by Rousseff’s victory, with many of these pro-Wall Street contrivances that masquerade as journalistic enterprises referring to Neves as a «centrist» who «narrowly» lost to Rousseff.

The Associated Press wistfully wrote, «There are not enough outstanding votes left to be counted to allow her [Rousseff] rival [Neves] to catch up with her». And Alberto Ramos, Goldman Sachs’s chief economist for Latin America, warned that Rousseff should abandon her policies that help Brazil’s poor or «market confidence» in Brazil will continue to suffer. Bloomberg News predicted the value of Brazil’s real currency would continue to be weakened with Rousseff’s win and when the markets opened on October 27, Bloomberg’s wishes were realized. The Financial Times of London happily reported that the real slumped 3.1 percent in value against the U.S. dollar and that its performance was worse than that of the Mozambican metical, which also was deflated by the global vulture bankers after the long-governing leftist Mozambique Liberation Front (FRELIMO) won the election against the Soros- and banker-backed and CIA-created Mozambique National Resistance (RENAMO). For the democracy manipulators of Soros and the CIA, the election news from the Lusophone capitals of Brasilia and Maputo was hardly encouraging.

The «usual suspects,» Goldman Sachs, Bloomberg, and The New York Times, all wailed in anger over Rousseff’s decisive win over Neves. The neo-conservative Rupert Murdoch-owned Wall Street Journal lamented that Brazil had opted to stick with «statism,» which for the Wall Street vulture capitalists who worship the Journal as if it were a Talmudic scroll, is a blasphemy.

Neves was advised on economic policy during the campaign by Arminio Fraga Neto, a former executive for Soros’s Quantum hedge fund and on foreign policy by Rubens Barbosa, the senior director in the Sao Paulo office for former U.S. Secretary of State Madeleine Albright’s Albright Stonebridge Group (ASG).

The reaction of Wall Street and London to immediately devalue Brazil’s currency after Rousseff’s victory indicates the strategy of the global capitalists in dealing with Brazil. Undoubtedly, Brazil is to be subjected to the same type of economic warfare that has been meted out to Venezuela since the re-election victory last year of Venezuelan Socialist President Nicolas Maduro. Venezuela has been pressured by artificially-created shortages of basic commodities and foreign transaction problems as a result of Wall Street’s – and the CIA’s — sabotage of the Venezuelan economy.

The CIA’s and Soros’s heavy interest in defeating Rousseff was aimed at derailing the emerging BRICS economic alliance of Brazil, Russia, India, China, and South Africa that threatens to weaken the domination that global bankers and their inherently corrupt World Bank and International Monetary Fund (IMF) contrivances wield over the world economy. The bankers and their CIA centurions believed that with Neves or Marina Silva, a Green Party operative groomed by Soros, in charge, Brazil would withdraw from BRICS and re-enter the global banker community with Brazilian state assets such as the Petrobras oil company being sold off in a «fire sale». Soros and his CIA friends failed to understand that Brazil’s poor owe their relative new social standing to the state-led economic policies of Rousseff and before her, those of Workers’ Party icon Luiz Inácio Lula da Silva.

With Rousseff now re-elected, the BRICS will continue to develop the New Development Bank (NDB) and its $100 billion currency reserve arrangement (CRA), or currency basket, that member countries can loans draw from, thus weaning themselves away from the Western political controls of the World Bank and IMF. Rousseff’s re-election will also permit BRICS, which faced losing Brazil as a member had Rousseff lost the election, to expand its membership base.

Argentina, which has faced a concerted economic campaign from New York vulture capitalist, right-winger, and committed Zionist Paul Singer to seize Argentine assets, has expressed a strong interest in joining BRICS. Argentine Foreign Minister Héctor Timerman has stated that Argentine intends to join BRICS and recent trade agreements between Argentina on one hand, and China, Russia, and India, on the other, indicate that Argentine would be welcome in the anti-U.S. «club» of emerging economic powerhouses. Iran, Indonesia, and Egypt have also expressed an interest in joining BRICS. Indonesia’s new president Joko Widodo is a member of the party of former president Megawati Sukarnoputri, the daughter of President Sukarno, ousted by the CIA in a bloody 1965 coup d’état aided and abetted by President Barack Obama’s Indonesian stepfather Lolo Soetoro and his USAID/CIA mother Ann Dunham Soetoro. Indonesia’s Sukarnoist foreign policy makes its alliance with BRICS a natural alignment.

The interventionist forces of the CIA and Soros will now look to obtain a consolation electoral victory in Latin America in order to apply pressure on both Brazil and Argentina. Uruguay’s president José «Pepe» Mujica, a former Marxist Tupamaro guerrilla, is barred from running for re-election and his Broad Front’s standard bearer is his predecessor Tabare Vasquez. Winning 45 percent of the vote in the first round election on October 26, the same day of Brazil’s election, Vasquez is now forced into a run-off with right-wing National Party presidential candidate Luis Lacalle Pou, the son of former Uruguayan conservative president Lacalle Herrera, who placed Uruguay under the economic control of the World Bank and IMF. Just as the CIA banked on Neves, the grandson of Brazil’s former elected president Tancredo Neves, who died from a suspicious ailment just prior to being sworn in as president in 1985, the CIA and Soros are now placing their bets on Pou to defeat Vasquez to be able to brag that Latin America’s progressive base of nations is not permanent. Pedro Bordaberry, the third place finisher in Uruguay, who has now endorsed Pou in the same manner that the Soros-financed Silva endorsed Neves in Brazil after losing the first round, is the son of the brutal CIA-installed Uruguayan dictator Juan Maria Bordaberry, arrested in 2005 for ordering the assassination of two Uruguayan legislators.

Ironically, Vasquez, who like Mujica, favors legalization and government regulation of marijuana sales is facing opposition from his Soros-financed opponent who is against marijuana legalization, citing nebulous and unfounded statistics on a rise in crime under the Broad Front presidencies. Soros is on record as favoring the legalization of marijuana. However, Soros compromises on his stance in countries like Uruguay where his and the CIA’s interests dictate opposition to marijuana legalization.

In Brazil and Uruguay, the CIA- and Soros-backed candidates and their major supporters represent reactionary forces who wish to turn Latin America’s clock back to the days of fascist rule. The Brazilian election threw a spanner in the CIA’s and Soros’s works. The November 30 Uruguayan run-off will provide the deadly duo of the CIA’s John Brennan and George Soros with another opportunity to place a roadblock not only in Latin America’s steady march toward steady progressive rule but also in the plans of the BRICS alliance to expand into a permanent economic and political force to challenge the neo-imperialism of the Washington-London-Brussels-Israeli true «axis of evil».

Fonte: Strategic-Culture

Bahraini prince loses diplomatic immunity and could face arrest if he returns to Britain over claim he tortured protesters during Arab Spring uprising

A Bahraini Prince could face prosecution over claims he tortured protesters during an Arab Spring-inspired uprising after the High Court overturned a decision granting him diplomatic immunity.

The Crown Prosecution Service had previously said Prince Nasser bin Hamad al-Khalifa could not be investigated over claims he was involved in the torture of prisoners during a pro-democracy uprising in Bahrain in 2011.

However, two judges today quashed Director of Public Prosecutions’s decision, raising the possibility, albeit unlikely, that Prince Nasser could be arrested if he travels to the UK.1412687457725_wps_71_08_Dec_2013_Manama_Bahrai

The government of Bahrain ‘categorically denies’ the claims made against Prince Nasser, and says that any decision on immunity was ‘academic’ due to a lack of evidence against the royal.

The case arose after a Bahraini citizen, referred to only as FF, sought the arrest of Prince Nasser, alleging that he was involved in the torture of detained prisoners.

However, he was told that the prince would be immune from prosecution because of his royal status.

FF, who has been granted asylum in the UK, claims he was badly beaten and given a prison sentence after taking part in protests in the Gulf state in February 2011 which have since left dozens dead, mainly demonstrators.

Tom Hickman, appearing for FF, told the High Court the CPS was claiming the prince had immunity under Section 20 of the State Immunity Act 1978 as a member of the Bahraini royal household and also in relation to his role as Commander of the Royal Guard.

Mr Hickman said the prince was ‘a regular visitor to these shores’, and for that reason FF was seeking to take action against him under the UK’s extra-territorial criminal jurisdiction over acts of torture.

In a statement, FF said: ‘Now the prince has lost his immunity he will need to consider the risk of investigation, arrest and prosecution when he is travelling outside Bahrain.

‘Whilst he is visiting other royal families and horse-riding, there are 13 prisoners of conscience.

‘Two of them have said in open court in Bahrain that the prince tortured them, yet they were still convicted.

‘It is time for the British Government to review its policy of co-operation and support for this regime.’

His solicitor, Sue Willman, of Deighton Pierce Glynn, said in a statement: ‘The UK has a duty under the convention against torture and under its own laws to investigate, arrest and prosecute those who are alleged to have committed acts of torture abroad.

‘They should be applied to all, regardless of the UK’s economic interests.’

The quashing order was made by Lord Justice Laws and Mr Justice Cranston, with the consent of the DPP.

Mr Hickman told the court that the DPP was suggesting that its concession on immunity was ‘academic’ because of a lack of evidence against the prince.

Mr Hickman said: ‘We don’t agree with that. We say that this concession clears the way for an investigation of the prince and for consent for an arrest warrant to be sought – and there is further evidence that will be submitted.’

A spokeswoman for the Government of Bahrain said: ‘As the British DPP has today affirmed, an arrest would have been improper given the absence of evidence of the conduct alleged.

‘As Bahrain has never sought anonymity or sovereign immunity from the English Courts for anyone in respect of this case, it expresses no view on the DPP’s statement that immunity was inappropriate.

‘This has been an ill-targeted, politically-motivated and opportunistic attempt to misuse the British legal system.

‘The Government of Bahrain again categorically denies the allegations against Sheikh Nasser.

‘The Government reiterates its firm condemnation of torture and recognises its responsibility to investigate any reasonable allegation.

‘The Government remains committed to implementing the wider reforms as recommended by the Independent Commission of Inquiry and welcomes constructive engagement with responsible campaigners in pursuit of that aim.’

The government of Bahrain went on to reject claims that the quashing order could now lead to a prosecution of the prince.

The government’s spokeswoman said: ‘Contrary to assertions being made in the wake of today’s hearing, the court order does not open the door to a prosecution.

‘Rather, the Crown Prosecution Service (CPS) said the decision on immunity was academic as it had solid fact-related grounds for the basis on which it determined it could not prosecute Sheikh Nasser.

‘All this was made plain in court today. In short, the situation has not, and will not, change as there is no evidence for the allegations.’

Deborah Walsh, Deputy Head of Special Crime and Counter Terrorism at the CPS, said there would need to be a police investigation before any potential prosecution could be considered.

‘In line with recent case law on this issue, we can no longer maintain our position that the Prince could have immunity,’ she said.

‘We have always maintained that the issues raised by this Judicial Review are academic as before the DPP can consent to any application for a private arrest warrant, there needs to be an investigation by police. The likelihood of immunity is not considered a bar to prosecution and is a matter that should be considered on a case’s individual facts and merits, after some investigation. The Metropolitan Police Counter Terrorism Command is responsible for the investigation of all allegations of war crimes, crimes against humanity, genocide and torture, and has previously said that it would not undertake an investigation in relation to this matter for a number of reasons; the possibility of immunity was not one.

‘The CPS is committed to the prosecution of war crimes and we take our responsibilities under international law very seriously. Whenever the evidence and law allows us to do so, we will vigorously pursue prosecutions through the UK courts. We have a well-established War Crimes Community Involvement Panel that consists of law enforcement, NGOs and others which has been cited internationally as an example of good practice. This meets regularly to discuss issues of concern and relevance and helps to improve our collective knowledge and understanding in this field.’

MailOnline