Polícia apreende cocaína entregue ‘por engano’ na ONU em Nova York

Sede da ONU em Nova York

A polícia de Nova York diz ter apreendido cerca de 12 quilos de cocaína que foram enviados para a sede das Nações Unidas, aparentemente por engano.

A cocaína, que vale cerca de US$ 2 milhões (R$ 3,4 milhões), foi colocada em meio a pacotes de cadernos dentro de bolsas falsas da ONU.

Um porta-voz da polícia disse que o pacote foi enviado de um país da América Latina, sem endereço do remetente.

Ele disse que a droga foi levada para a sede da ONU depois que a companhia de entrega viu o logotipo da Organização nas bolsas.

Fonte: BBC BRASIL

Propostas para Europa são “receitas fracassadas”, diz Dilma

Por Ana Flor

PORTO ALEGRE, 26 Jan (Reuters) – A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira para uma plateia de esquerda na versão reduzida do Fórum Social Mundial (FSM) que “receitas fracassadas” estão sendo impostas para a Europa como solução para a crise econômica.

Afirmando não estar satisfeita com os resultados da reunião do G20 ocorrida em novembro, em Cannes, na França, Dilma disse ser difícil “produzir novas ideias e alternativas” quando se está “dominado por preconceitos políticos e ideológicos”.

“Conhecemos bem essa história … impingiram aos países da América Latina o modelo conservador que levou nosso país à estagnação, à perda de espaço democrático e soberano, aprofundando a pobreza, o desemprego e a exclusão social. Hoje, essas receitas fracassadas estão sendo propostas novamente na Europa”, disse a presidente no Fórum Social Temático, versão local do FSM.

Países membros do G20, incluindo o Brasil, têm prometido ajuda monetária à Europa por meio do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para isso, exigem que o continente resolva seus problemas fiscais.

A presidente foi recebida no ginásio Gigantinho por uma militância de partidos políticos e organizações de esquerda. Ao lado do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), ela voltou a falar contra o neoliberalismo e na mudança de rumos no país desde 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o Planalto.

“O grande nó que o presidente Lula começou a desatar em 2003 é o da exclusão social, como mostram os 40 milhões de brasileiros que deixaram a miséria e ascenderam às classes médias… O lugar que o Brasil ocupa no mundo não é consequência de nenhum milagre econômico, é consequência do trabalho de seu povo e seu governo. O Brasil hoje é um outro país”, disse Dilma.

Ela falou da importância dos movimentos sociais para que a Rio+20, conferência ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) que será realizada no Rio de Janeiro, em junho, tenha sucesso.

Segundo a presidente, a tarefa atual da sociedade é “desencadear um movimento de renovação de ideias e novos processos absolutamente necessários para enfrentar os dias difíceis”.

Dilma citou ainda os movimentos de protesto e de ocupação, como o Ocupe Wall Street, que surgiram nos últimos anos na Europa e nos Estados Unidos como “sintomas importantes” da dissonância entre governos e seus povos.

“O mundo pós-neoliberalismo não pode ser o da pós-democracia”, disse ela.

Mais cedo, ao participar de um evento fechado para cerca de 80 pessoas, Dilma chegou a dizer, segundo relato de três participantes feito à Reuters, que a população brasileira está “vacinada” contra o neoliberalismo.

“Ela (Dilma) garantiu que o povo brasileiro está vacinado contra o neoliberalismo. Mas eu não estou tão certo (que o povo está vacinado)”, disse o sociólogo português e professor da Universidade de Coimbra, Boaventura de Sousa Santos, integrante da organização internacional do evento.

As declarações da presidente foram relatadas ainda pelo teólogo Leonardo Boff e pelo empresário Oded Grajew. Ela ainda defendeu que a parcela não-governamental do evento tenha o lema “Um Outro Mundo é Possível” para a Rio+20. O mote é lema do FSM desde 2001.

Segundo os relatos, a presidente defendeu diante do grupo que não é mais possível adotar um discurso anticapitalista, pois ele “não dura cinco segundos”.

“Não adianta ser anticapitalista. Precisamos de alternativas”, teria dito a presidente, de acordo com os relatos.

Dilma voltou na noite desta quinta-feira para Brasília. Ela cancelou uma viagem ao Rio de Janeiro agendada para sexta-feira, na qual participaria de uma cerimônia ao lado do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes.

Fonte: Reuters

China diz que veto da UE a petróleo do Irã não é “construtivo”

Países da UE concordam em vetar importações de petróleo iraniano

O governo chinês criticou a União Europeia nesta quinta-feira por proibir a importação de petróleo do Irã, o terceiro maior fornecedor do produto à China e grande parceiro comercial.

Na segunda-feira a União Europeia concordou em proibir a importação de petróleo do Irã e impôs uma série de outras sanções econômicas, juntando-se aos Estados Unidos em uma nova rodada de medidas que objetivam forçar o país a interromper suas atividades nucleares, que o governo iraniano diz terem fins pacíficos.

A China, segundo maior consumidor de petróleo do mundo, vem se opondo há tempos a sanções unilaterais ao setor energético iraniano e tentando reduzir as tensões, que podem ameaçar seu suprimento.

Na semana passada, o governo chinês disse a uma delegação iraniana em visita que retomar as conversas nucleares é “prioridade máxima”. Durante uma turnê em estados árabes no início do mês, o premiê chinês Wen Jiabao também fez uma declaração dura se opondo ao desenvolvimento e posse de armas nucleares pelo Irã, mas defendeu o direito chinês de comprar petróleo cru do país persa como uma atividade comercial normal.

Indagado sobre o embargo da UE, o ministro das Relações Exteriores da China disse em um comunicado enviado por fax: “Não é uma abordagem construtiva simplesmente aumentar a pressão e impor sanções”.

“A China espera que as partes relevantes recorram a medidas que levem à paz e à estabilidade regionais”.

A China é o maior comprador de petróleo cru iraniano, mas cortou suas compras pela metade em janeiro e fevereiro por conta de uma disputa sobre os termos de pagamento.

Fonte: Reuters

Argentina e Grã-Bretanha estremecem relações pelas Ilhas Malvinas

A recente troca de acusações entre dirigentes da Argentina e da Grã-Bretanha ameaça deteriorar e relação entre os dois países e reacende os temores de uma possível escalada na tensão entre as nações, que foram à guerra há quase 30 anos.

Mais uma vez, o centro da discórdia são as Ilhas Malvinas, o pequeno arquipélago 500 km ao leste do extremo sul da Argentina, anexado pela Grã-Bretanha desde 1833.

Nesta semana, o premiê britânico, David Cameron, respondendo a novas iniciativas do governo Cristina Kirchner para pressionar por negociações sobre o futuro das Malvinas (chamadas de ilhas Falkland pelos britânicos), acusou a Argentina de estar adotando uma postura “colonialista”, afirmação respondida no mesmo tom de acusação por ministros argentinos.

Desde o fim do conflito, deflagrado em abril de 1982, a Argentina insiste que negociações bilaterais sejam abertas para tratar da soberania das ilhas, enquanto a Grã-Bretanha diz que não há o que discutir, já que os moradores do local querem permanecer cidadãos britânicos.

No entanto, enquanto David Cameron mantém a postura de seus antecessores, tanto conservadores quanto trabalhistas, seus colegas argentinos vêm desfechando uma ofensiva diplomática para fortalecer a sua posição.

Recentemente, o requerimento de Buenos Aires obteve o apoio da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), assim como da OEA (Organização dos Estados Americanos).

Além disso, os países do Mercosul aderiram a uma moção para não permitir a entrada de barcos que levem a bandeira das Malvinas em seus portos, medida que Londres inicialmente classificou de “bloqueio”.

Em ocasiões anteriores, ambos os países afirmaram quem, acima de tudo, está o interesse de manter a paz. Mesmo a Argentina, que é parte demandante, disse várias vezes que sua reivindicação é pacífica.

Observadores dentro e fora do Cone Sul concordam que a situação geopolítica mudou muito desde os anos 1980, quando ocorreu a guerra. Em geral, há um consenso de que um novo conflito armado é improvável. No entanto, as declarações recentes de ambas as partes chama a atenção por sua aspereza.

David Cameron disse que a questão das Malvinas foi tratada na última terça-feira com o Conselho de Segurança Nacional. “Devo me certificar de que nossas defesas estão em ordem”, disse o primeiro-ministro aos parlamentares britânicos.

Já no início desta semana, um navio de cruzeiro que se dirigia à Antártida, ocupado por centenas de passageiros de diversas nacionalidades, foi impedido de desembarcar nas Malvinas por supostas questões de saúde.

O governo das ilhas afirmou que vários passageiros apresentavam um quadro de gastroenterocolite, motivo pelo qual foram impedidos de desembarcar. Relatos publicados na mídia indicaram a surpresa dos integrantes da tripulação do navio, diante do que consideraram uma medida extremamente rigorosa.

O episódio foi referido pela chancelaria argentina, que emitiu um comunicado criticando a ação do “governo ilegítimo e autodenominado” das Malvinas, acrescentando que esperavam que este não se tratasse “do enésimo ato hostil”.

As rusgas mais recentes foram verificadas quando a postura argentina foi chamada de “colonialista” pelo primeiro-ministro britânico. “Essas pessoas (os habitantes das Malvinas) querem continuar sendo britânicos, e a Argentina pretende o contrário”, disse Cameron.

A resposta argentina veio por meio do ministro das Relações Exteriores, Héctor Timerman. “Chama a atenção que a Grã-Bretanha fale de colonialismo, quando é um país sinônimo de colonialismo”, disse ele, durante viagem a El Salvador.

“Chama a atenção também que a Grã-Bretanha acuse um país como a Argentina, que é vítima de uma situação colonial, como expressaram as Nações Unidas ao definir as Malvinas como uma questão de soberania e colonialismo”, acrescentou Timerman.

O ministro se refere a uma resolução da ONU emitida em 1965, onde a postura britânica é descrita como uma forma de colonialismo. Desde então, as Nações Unidas pedem que as duas partes negociem uma saída.

Em visita ao Brasil, o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que a posição de seu país sobre as ilhas é “bem conhecida” e não vai mudar.

“Acreditamos na autodeterminação do povo das ilhas Falkland e apoiamos seus direitos”, afirmou Hague na quarta-feira, após um almoço com seu colega brasileiro, Antonio Patriota.

Apoio brasileiro

“Chama a atenção que a Grã-Bretanha fale de colonialismo, quando é um país sinônimo de colonialismo”, disse ele, durante viagem a El Salvador.”

Héctor Timerman, chanceler da Argentina

Por sua vez, o chanceler brasileiro reiterou o apoio brasileiro à posição argentina.

“As decisões da Unasul e do Mercosul são públicas, e o ministro Hague sabe que o Brasil e a Unasul apoiam a soberania argentina sobre as Malvinas, e nós apoiamos as resoluções das Nações Unidas para que os dois países discutam a questão”, disse, após a reunião com seu colega britânico.

No entanto, as próprias ilhas parecem apoiar amplamente a posição britânica. “Temos o direito absoluto à autodeterminação. Ninguém nos pode tirar isso”, disse à BBC Dick Sawle, representante das ilhas no Parlamento, em Londres.

“Temos o direito estabelecido na ata da ONU que a Argentina decidiu seguir ignorando.”

As Malvinas também foram motivo de tensão renovada entre Argentina e Grã-Bretanha a partir de 2010, quando empresas britânicas começaram a prospectar petróleo nas águas profundas próximas às ilhas.

Vários projetos de exploração de petróleo estão em curso na região, mas ainda não foi comprovada a existência de reservas de hidrocarbonetos.

Cortes orçamentários

O jornal britânico Financial Times afirmou recentemente, citando analistas, que o interesse do governo de Cristina Kirchner no tema das Malvinas visa desviar a atenção do público para uma agenda de cortes orçamentários, mesmo depois de ter aumentado gastos em sua campanha para a reeleição.

No entanto, segundo apurou a BBC Mundo em Buenos Aires, há uma espécie de acordo político entre grupos governistas e de oposição sobre a polêmica das ilhas.

Na última campanha presidencial, quando questionados sobre as Malvinas, todos os principais candidatos disseram que manteriam a estrategia implementada por Cristina.

Já as declarações de Cameron sobre sua reunião com o Conselho de Segurança Nacional coincidem com o anúncio de cortes nos gastos militares.

Apesar da recente tensão entre os dois países, acredita-se que a possibilidade de uma escalada que culmine num eventual enfrentamento militar, como em abril de 1982, seja remota.

“Politicamente, a escalada não é uma opção. Da parte dos britânicos, seria algo muito custoso, e vários países, inclusive o próprio Reino Unido, estão reformulando seus gastos militares”, disse à BBC Brasil Luis Fernando Ayerbe,coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp,

“Já a Argentina não faria isso, por ter um poderio desproporcionalmente menor do que a Grã-Bretanha.”

Para Ayerbe, a Argentina tem instrumentos fracos para pressionar os britânicos a negociar uma saída para as Malvinas.

“A postura do Mercosul de banir navios britânicos é um passo, mas não é algo que vá colocar a Grã-Bretanha contra a parede. Se eles não quiserem abrir o diálogo, nada vai acontecer, a Grã-Bretanha não vai ser isolada ou retaliada”, afirma.

Segundo o especialista, as medidas argentinas têm um maior efeito político, ao levantar questões sobre o colonialismo e recordando casos como o de Hong Kong, que a Grã-Bretanha devolveu à China após mais de 150 anos de domínio.

Fonte: BBC Brasil

Dilma visita Cuba na próxima semana com foco em comércio

Dilma e Raúl Castro se encontrarão em Cuba na próxima semana

BRASÍLIA, 25 Jan (Reuters) – A presidente Dilma Rousseff visitará Cuba na próxima semana, em uma viagem cujo foco principal é a área comercial, segundo seus assessores.

A visita a Havana ocorre antes da ida dela a Washington, uma decisão que causou suspeitas devido aos confrontos recentes do Brasil com os Estados Unidos por conta do comércio e outras questões.

Assessores da presidenta rejeitam qualquer simbolismo, e notam que Dilma deve visitar o presidente dos EUA, Barack Obama, em Washington ainda neste primeiro semestre.

“Temos boas relações com os EUA, apesar de termos diferenças em questões internacionais”, disse o assessor para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

O Brasil está oferecendo a Cuba tecnologia de cana-de-açúcar e 200 milhões de dólares em crédito para que pequenos agricultores adquiram tratores e equipamentos de colheita e irrigação.

Fontes brasileiras dizem que o governo gostaria de ver uma abertura democrática em Cuba e que está acompanhando de perto as reformas econômicas adotadas pelo presidente cubano, Raúl Castro, mas que não fará pressões.

Garcia disse que a reforma política é um assunto para cubanos: “Não iremos dizer a eles o que fazer”.

A morte, na semana passada, de um dissidente em greve de fome em um presídio cubano colocou pressão em Dilma para levantar a questão de direitos humanos em Havana.

Dissidentes pediram por um encontro com a presidente, mas a imprensa brasileira disse ser improvável que ela se reúna com eles. Dilma, também, só discutiria a questão de direitos humanos em conversas privadas.

Fonte: Reuters